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MEC inaugura estruturas para estudantes indígenas na UFMS e anuncia novos investimentos em MS
- Silvana Nadir Garcia Machado MTE - 103/MS
- 11/06/2026
Por: Assessoria
O Ministério da Educação (MEC) inaugurou,
nesta quarta-feira (10), as novas estruturas acadêmicas para estudantes
indígenas do Campus Aquidauana da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(UFMS) e entregou o Centro de Convivência e Empreendedorismo Estudantil
(Autocine), no Campus Campo Grande. Também foram assinadas as ordens de serviço
para a expansão do projeto Aldeias Conectadas e para a obra de infraestrutura
elétrica do Bloco 4 do Campus Paranaíba.
Com essas entregas, o investimento total na UFMS chega a R$
35 milhões, sendo R$ 12,6 milhões referentes às ações anunciadas e R$ 22,4
milhões provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC),
destinados a ações de expansão e consolidação. A cerimônia ocorreu em Campo
Grande (MS) e contou com a presença do ministro da Educação, Leonardo Barchini;
do secretário de Educação Superior, Marcus David; da reitora da UFMS, Camila
Celeste; e de estudantes indígenas.
Investimento e impacto na educação
“A retomada de investimentos nas
universidades e nos institutos federais que temos feito nos últimos três anos
amplia o acesso ao ensino, garante que as nossas instituições se tornem mais
atrativas e forneçam todas as condições necessárias para a permanência dos
estudantes”, afirmou
Barchini. “Com esses
recursos, espaços que antes estavam sucateados, fechados e inadequados foram
transformados, o que, além de fortalecer a formação dos estudantes, leva o
desenvolvimento econômico e social à região”.
A reitora da UFMS, Camila Celeste, comemorou a entrega e
ressaltou seu impacto nas comunidades atendidas:
“Muitos dos nossos estudantes são
a primeira geração de suas famílias que têm a oportunidade de acessar o ensino
superior, porque o MEC investe na interiorização das universidades. Então, os
investimentos que recebemos aqui significam mobilidade social, oportunidade e
esperança para a região”.
Novas estruturas no Campus Aquidauana
Entre os espaços inaugurados estão a expansão do Alojamento
Indígena (etapa 1), que inclui o Laboratório de Informática, o LabCrie
Indígena, a Sala Verde Indígena, a Copa Acadêmica, a Brinquedoteca e a Sala de
Lactante, no Campus Aquidauana da UFMS. Os ambientes foram construídos com
investimentos de R$ 4 milhões da própria universidade, com o objetivo de
garantir a inclusão, a permanência e o sucesso acadêmico de estudantes
indígenas, além de promover maior integração digital e equidade no acesso à
educação superior.
Para o Centro de Convivência e Empreendedorismo Estudantil
(Autocine), a instituição alocou R$ 6,8 milhões. A expansão do projeto Aldeias
Conectadas receberá o recurso de R$ 300 mil. Já a obra de infraestrutura
elétrica do Bloco 4 do Campus Paranaíba foi orçada em R$ 1,5 milhão.
Detalhes das novas instalações
Alojamento
Inicialmente projetado para atender 100 estudantes, o
espaço foi ampliado e readequado para 200 vagas, garantindo mais conforto para
os estudantes em geral e novos locais voltados à permanência de mães indígenas
na graduação. O alojamento conta com camas, sala de amamentação, ambientes
planejados para crianças pequenas, poltronas ergonômicas e berços. Além disso,
também foi construído um novo vestiário indígena, composto por instalações
sanitárias, chuveiros, lavatórios e áreas de troca, que terá capacidade para
atender ao fluxo de até 400 estudantes do regime de alternância, que são
aqueles que dividem seu tempo entre a universidade e a vida nas comunidades.
Laboratórios
O Laboratório de Informática foi concebido para promover a
inclusão digital e complementar o ecossistema holístico da universidade. Nele,
os alunos terão acesso a equipamentos modernos, conectividade estável,
cabeamento estruturado e espaços físicos adequados para aprender o que é
demandado pela nova realidade do mercado de trabalho. Já o LabCrie busca
fomentar a criatividade e a inovação na educação básica, apoiando as atividades
desenvolvidas pelos alunos do curso de Pedagogia Indígena. O local é
constituído por computadores e mesas para trabalhos coletivos.
Sala Verde
A instalação será dedicada à sustentabilidade e ao diálogo
de saberes, promovendo a convergência entre o conhecimento científico acadêmico
e o respeito aos ensinamentos originários de preservação do bioma pantaneiro. A
sala funcionará como uma espécie de auditório onde a comunidade acadêmica
poderá se reunir para realizar esses debates.
Copa Acadêmica
e Brinquedoteca
A copa será totalmente equipada com fogão, geladeira, mesas
e utensílios de cozinha, de forma a assegurar que os estudantes possam preparar
suas próprias refeições, com base nas tradições, culturas e laços comunitários.
A Brinquedoteca faz parte das ações que visam à permanência de estudantes com
filhos na universidade e terá jogos, brinquedos e assistência de profissionais
para as mães.
Projeto Aldeias Conectadas
Criada durante a pandemia, inicialmente a ação levou
conectividade para sete aldeias de Mato Grosso do Sul: Ipegue, Lagoinha, Água
Branca, Bananal, Limão Verde, Colônia Nova e o distrito de Taunay. Agora, com a
expansão, mais 11 comunidades integrarão o projeto, o que beneficiará mais de
mil estudantes. Para garantir o funcionamento, a universidade instalou duas
torres de comunicação com radiotransmissores, que tornaram possível a
disponibilização de internet via Wi-Fi com até dois pontos de acesso por
aldeia.
Autocine
O Centro de Convivência e Empreendedorismo Estudantil, no
Campus Campo Grande da UFMS, é um espaço voltado ao desenvolvimento social e
comunitário e foi construído em uma área total de 12,6 mil m². A edificação
terá aproximadamente 2,1 mil m², com dois pavimentos em arquitetura modular,
compostos por cozinha experimental, espaço para escritórios, salas de
coworking, refeitório, livraria, lojas e ambientes para eventos com palco,
camarim e bilheteria. No total, foram investidos cerca de R$ 6,8 milhões na
obra.
Programas e histórico da UFMS
Novo PAC
Por meio do Novo PAC, o MEC investe em ações de
consolidação e expansão da universidade, que incluem a construção da Faculdade
de Direito, infraestrutura e urbanização do Setor Aginova e da Unidade de
Psicologia, estruturas acadêmicas e demais reformas no campus Campo Grande; e
complexos esportivos e/ou culturais nas demais unidades, com exceção do Campus
Corumbá.
UFMS Indígena
O programa foi criado em 2025 para fomentar a ampliação e a
permanência desse público na universidade e para contribuir com a efetivação
dos direitos indígenas, promovendo ações que respeitem a autodeterminação dos
povos originários, valorizem suas culturas e favoreçam sua integração no
desenvolvimento regional e nacional. A iniciativa propõe ações concretas,
contínuas e integradas organizadas em três eixos estratégicos:
Fortalecer a trajetória acadêmica dos estudantes indígenas
por meio do ingresso, permanência e conclusão dos cursos de graduação e de
pós-graduação;
Ampliar a participação indígena nos projetos de ensino,
pesquisa, extensão, empreendedorismo e inovação, cidadania e sustentabilidade;
e
Promover ações voltadas ao ambiente acolhedor, inclusivo e
representativo.
UFMS
A universidade foi fundada oficialmente em 1969, ainda com
a denominação de Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT). Para isso, a
instituição reuniu a Faculdade de Farmácia e Odontologia de Campo Grande, o
Instituto de Ciências Biológicas de Campo Grande (ICBCG), o Instituto Superior
de Pedagogia de Corumbá e o Instituto de Ciências Humanas e Letras de Três
Lagoas. Após a divisão do estado, em 1979, foi concretizada a federalização da
instituição, que passou a ser chamada de Fundação Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul.
Atualmente, a UFMS possui dez campi: Campo Grande,
Aquidauana, Chapadão do Sul, Corumbá, Coxim, Naviraí, Nova Andradina,
Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas. A instituição oferta 123 cursos de
graduação e 48 programas de pós-graduação para quase 30 mil alunos.
O Programa Bolsa Permanência (PBP) é prioridade: são
ofertadas 611 vagas, entre as quais 576 são ocupadas por estudantes indígenas e
35 por quilombolas. O quadro de profissionais é composto por 1.584 docentes e
1.756 técnicos administrativos.
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